Postagens

MEMÓRIAS DE UM SERIAL KILLER- Capítulo final

Capivari, 12 de março de 2016. - John, me explique agora o que está acontecendo! Diana agora falava com exasperação e toda aquela calma e doçura que ela possuía costumeiramente em sua voz havia se transmutado em um grave tom de repreensão. Ela era uma mulher espirituosa, muito mais séria do que aparentava em seu rosto de feições delicadas e muito alvas, seus enormes olhos claros e profundos e seus lábios finos e pálidos de anemia. Eu sabia perfeitamente que quando assim falava comigo, algo muito grave havia acontecido e era mister que eu me preocupasse com a situação. - Explicar o quê? - Você sabe muito bem, John. O que aconteceu com você esta noite? Estávamos sentados em nossa sala de estar enquanto tínhamos essa conversa. As vozes ainda ruíam em minha cabeça, o eco produzido da noite anterior parecia martelar em minha massa cerebral. Tudo aquilo se fazia muito confuso. Eu sentia que algo estranho estava prestes a acontecer. Ou já havia acontecido. Não sei dizer com exati...

MEMÓRIAS DE UM SERIAL KILLER- Quarto capítulo

Capivari, 08 de março de 2016.             Pouco antes de voltar a escrever estive mergulhado na escuridão doentia do meu quarto. Meus olhos se fixaram no teto e eu contava as teias brilhantes que sobressaíam nos cantos das paredes. As aranhas negras pegavam suas vítimas e comiam seus interiores. Eu observava toda aquela operação em um silêncio respeitoso, como se aqueles insetos fizessem parte de minha alma e eu me identificasse profundamente com eles. Claro com as aranhas. O reino animal é bem variado, cheio de brutalidades que o homem sequer pode imaginar. Certa vez ouvi falar de uma espécie de vespa que põe seus ovos no abdômen de um aracnídeo para que suas larvas “suguem” seu sangue e a devorem depois. Há inúmeros tipos de abominações demoníacas na natureza. É então que eu penso na seguinte questão: Se existe um Deus misericordioso por que é que Ele permite isso? A resposta para esse questionamento é bem evidente: simp...

MEMÓRIAS DE UM SERIAL KILLER- Terceiro capítulo

Capivari, 27 de fevereiro de 2016.                              Meu Deus o que está acontecendo comigo?             Acordei no meio da madrugada, desesperado. Um turbilhão de vozes rugia e ria histericamente em uma entoada dos mais diversos sons. Meu corpo todo formigava e minha cabeça rodava como se eu estivesse muito bêbado. Sentia como se eu fosse explodir em trilhões de pedaços.             Chega! Chega, por favor!             Mas elas não me ouviam implorar. A balbúrdia era tamanha que a minha voz era apenas um sussurro imperceptível. A confusão na minha cabeça durou cerca de meia hora e, como em um passe de mágica, desapareceu.             Estou completam...

MEMÓRIAS DE UM SERIAL KILLER- Segundo capítulo

Capivari, 20 de fevereiro de 2016.             Uma semana havia se passado desde que eu matara minha mulher. As vozes que falavam comigo haviam desaparecido completamente. Achei estranho elas terem sumido. Senti falta, de certa forma. Mas todo aquele silêncio durou pouco tempo, pois no oitavo dia elas retornaram.             Acordei certa manhã com uma voz feminina, aguda e irritante chamando pelo meu nome. Quando finalmente despertei, uma saraivada de palavras nada amistosas caiu sobre mim: seu bundão, quando é que você vai virar homem? Não acha que já está na hora de fazer aquilo de novo? Precisa que eu fique mandando ? Fracassado!             Dessa vez eu não respondi, não retruquei e não me exaltei. Sabia que ela estava lá só pra me perturbar e zombar de mim. Levantei-me e realizei minhas atividades rotineir...